Ministério da Saúde
 
Curso traz ferramentas para aumentar confiabilidade da pesquisa em saúde

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A pesquisa científica, desde sua origem, fundamenta-se em práticas e métodos bem determinados. Na área da saúde, por exemplo, é uma metodologia confiável que garante a validade dos resultados obtidos nos estudos, e assim os conhecimentos gerados podem ser aplicados pelos profissionais – ou pelo menos servir de base segura a outras pesquisas.

Uma especialização oferecida pelo Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) será a primeira do gênero no mundo a capacitar pesquisadores em duas das metodologias mais valorizadas no cenário científico atual: a revisão sistemática e a metanálise.

Aulas teóricas, presenciais, além de discussão de dúvidas via chat fazem parte do Curso de Especialização em Revisão Sistemática e Metanálise, que tem como objetivo formar pesquisadores aptos a executar estes métodos de pesquisa em suas respectivas áreas de conhecimento.

A revisão sistemática utiliza técnicas que permitem identificar as “melhores” pesquisas sobre um tema escolhido, isto é, as que ocupam o topo da hierarquia em relação às evidências científicas. Por meio de uma busca sistemática por evidências sobre um dado tema e metodologia própria, ela permite que os especialistas obtenham uma visão completa, imparcial e mais precisa sobre o efeito de uma intervenção ou fator prognóstico, por exemplo.

A diferença entre a revisão sistemática e a revisão bibliográfica – método comum em que pesquisadores comparam criticamente a bibliografia escrita sobre um mesmo tema – está na imparcialidade da primeira. De acordo com um dos coordenadores do curso, o médico João Amadera, “revisões bibliográficas tendem a ser enviesadas, pois o autor sempre terá uma hipótese a priori e irá identificar os estudos ou evidências que a corroborem”. Juntamente com este gênero de estudo em crescente difusão no mundo acadêmico, está a chamada metanálise. Trata-se um método estatístico que integra os resultados de diferentes pesquisas em uma única estimativa de resultado. “Dessa forma, é possível estimar uma magnitude de efeito mais confiável e precisa”, reforça o professor.

As metodologias em pauta no curso despertam interesse dos pesquisadores também por viabilizar uma maior produtividade científica, muitas vezes dispensando a condução de outros estudos onerosos em tempo e dinheiro.

A equipe coordenadora propôs o curso por entender que essa é uma ferramenta importante não só para a carreira do pesquisador, mas porque permite contestar ”verdades” que são impostas por especialistas, muitas vezes com conflitos de interesse para dizer, por exemplo, que um medicamento ou terapia é mais eficaz do que o outro, quando não há evidência confiável que se permita afirmar isso.

Dessa forma, através da realização de uma revisão sistemática, um profissional tem ferramentas para criticar e formar sua própria opinião em relação à conduta clínica mais adequada. ”Pesquisamos todos os cursos oferecidos no assunto e esse realmente é o pioneiro”, confirma Amadera.

A decisão de promover a especialização foi pautada na realidade do Brasil, considerando o fluxo necessário para incorporação de tecnologias pelo SUS. De acordo com a atual legislação, uma entidade física ou jurídica que quer que uma tecnologia em saúde – medicamento, protocolo de avaliação, recurso terapêutico ou um novo método diagnóstico, por exemplo – seja disponibilizada pelo SUS, deve apresentar um dossiê de incorporação. Este dossiê é basicamente é composto de três etapas, uma delas sendo a revisão sistemática da literatura sobre o assunto.

As aulas serão ministradas de 26 de março de 2015 a 26 de março de 2016. Os interessados devem se inscrever pelo site do curso até o dia 28 de fevereiro.


Data de criação 24/02/2015 - 15:03
 
OpenTrials v1.2